O que diz a legislação?
Muitos motoristas ainda não sabem, mas o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê punições para quem transporta animais de forma inadequada. Embora não haja um capítulo exclusivo sobre o tema, o princípio central é o de que nada pode comprometer o controle do veículo.
Nesse sentido, o artigo 252 do CTB enquadra como infração média o ato de transportar animais à esquerda do(a) condutor(a), entre os braços ou pernas. A multa chega a R$ 130,16 e resulta em quatro pontos na CNH. Já deixar o pet com qualquer parte do corpo para fora da janela é considerado infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos.
Além disso, se o animal estiver solto e interferir diretamente na condução, o(a) motorista ainda pode ser autuado por dirigir sem a atenção necessária, gerando penalidades adicionais.
Por que é perigoso deixar o pet solto?
Do ponto de vista físico, um animal sem contenção dentro do veículo funciona como um objeto em movimento. Um cão de porte médio, numa batida em velocidade urbana, pode se tornar um projétil com força suficiente para machucar gravemente quem estiver nos bancos, além dele mesmo.
Há ainda o fator comportamental. Pets curiosos ou agitados tendem a transitar pelo interior do carro durante a viagem, o que desvia a atenção de quem está conduzindo em momentos críticos. Uma frenagem inesperada já é suficiente para causar um acidente secundário, mesmo sem qualquer colisão externa.
Quais são as formas corretas de transportar pet no carro?
Existem soluções acessíveis e eficientes para diferentes portes de animais:
Caixa de transporte - indicada principalmente para gatos e cães de pequeno porte. Deve ser posicionada no banco traseiro e presa com o cinto de segurança para evitar que se mova em frenagens;
Cinto peitoral específico - ideal para cães de médio porte. O equipamento é afixado ao cinto de segurança convencional e distribui melhor a força em caso de impacto, sem comprometer o conforto do animal;
Grade divisória no porta-malas - recomendada para cães de grande porte em veículos maiores. Separa a cabine do compartimento de carga e impede que o animal avance sobre os passageiros;
Assento tipo cestinha - opção para cães pequenos (geralmente até 10 kg), preso à cabeça do banco traseiro com o cinto de segurança.
De qualquer modo, priorize sempre o banco traseiro. Além de ser mais seguro em termos de impacto, ele elimina a exposição ao airbag frontal que, ao ser acionado, pode provocar lesões sérias em animais posicionados no assento do carona.
Cuidados extras para viagens longas
Percursos mais longos exigem uma preparação diferente. Planeje paradas estratégicas ao longo do trajeto para oferecer água e permitir que o animal se movimente um pouco. Isso reduz o estresse e melhora o comportamento dentro do veículo.
Quanto à ventilação, o ideal é manter o ar circulando sem abrir a janela o suficiente para que o pet consiga colocar a cabeça para fora.
Ademais, nunca deixe o animal confinado no veículo, mesmo que a parada seja rápida.
Para pets que nunca viajaram de carro, a adaptação prévia faz diferença. Apresente o veículo com calma, em sessões curtas, antes de partir para um trajeto longo.
Vai viajar com seu pet? Faça uma revisão e vá com muito mais tranquilidade.
Referências:
